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Covid-19: falta de EPIs para trabalhadores e trabalhadoras essenciais preocupa CNS

Na última quarta (27/05), aconteceu a 3ª edição do Encontro Online do Comitê para Enfrentamento à Covid-19 do CNS. A atividade teve como pauta a proteção do trabalhador e da trabalhadora em tempos de pandemia.

“A disponibilização de equipamentos de proteção individual (EPIs) para execução adequada do trabalho e testagem ampla para o coronavírus não estão sendo implementadas adequadamente no Brasil”, afirmou a secretária sub regional da Internacional de Serviços Públicos (ISP-Brasil), Denise Mota Dau.

Denise apresentou dados de uma pesquisa realizada pela ISP-Brasil com mais de três mil trabalhadores e trabalhadoras de serviços essenciais no Brasil, durante a pandemia. De acordo com o levantamento, 64% dos profissionais informaram não possuir EPIs suficientes em seu local de trabalho e 11% afirmaram não possuir nenhum equipamento de proteção. “Recebemos muitos relatos de pessoas que estão utilizando máscaras, luvas, aventais, porque não estão recebendo EPIs suficientes. Portanto, não estão fazendo a troca higienizada como recomendam os organismos mundiais de Saúde”, detalha a representante da ISP-Brasil.

O conselheiro nacional de Saúde Geordeci Souza também falou sobre a falta de treinamento e orientações para profissionais de serviços essenciais que não são da Saúde, impactando diretamente na proteção individual. “Embora faltem os EPIs, os trabalhadores da Saúde têm uma ideia de como se proteger. Enquanto o trabalhador das atividades essenciais não tem ideia nem dos risco, nem da melhor maneira dele se proteger”, destacou.

Geordeci também citou a preocupação com os trabalhadores e trabalhadoras que não estão no campo da Saúde, nem das atividades essenciais. “Sabemos muito bem que, mesmo com os decretos estaduais, muitos empresários não respeitam o isolamento e continuam trabalhando e isso aumenta a probabilidade de contaminação dos profissionais”, relatou.

A pesquisa também avaliou se os trabalhadores e trabalhadoras estão recebendo treinamento e orientações adequadas para atuar na pandemia e 78% afirmaram não ter recebido capacitação. Além disso, 35% dos entrevistados relataram estar cumprindo jornadas diárias de trabalho de 12 horas ou mais. Outro dado preocupante diz respeito à saúde mental dos profissionais. 53% afirmaram estar passando por algum sofrimento psíquico. Destes, 56% são mulheres. “Aqui entra a falta de compartilhamento das tarefas domésticas, somada a jornada exaustiva, ao medo da contaminação, à violência doméstica, ao assédio moral”, explica Denise.

Durante todo o mês de maio,  o CNS promoveu a campanha Proteger o Trabalhador e a Trabalhadora é Proteger o Brasil. Com o objetivo de implementar um conjunto de estratégias de educação permanente para esclarecer e alertar as pessoas sobre as recomendações de proteção à saúde dos trabalhadores e trabalhadoras que estão envolvidos no enfrentamento e combate ao novo coronavírus.

“Essa discussão nos traz uma questão importantíssima: não existe pós-pandemia, infelizmente. O vírus continuará ativo e circulando por pelo menos um ou dois anos. Portanto, as medidas de proteção deverão ser pensadas para o futuro e continuamente”, destacou o conselheiro Moysés Toniolo, que mediou o debate.

Também participaram do encontro online três integrantes do Comitê. A conselheira nacional de saúde Ruth Guilherme, representante do segmento de trabalhadores(as), o conselheiro nacional de Saúde, Jurandir Frutuoso, representante do segmento de gestores(as)/prestadores(as), e a conselheira nacional de saúde Conceição Silva, representante do segmento de usuários(as).

Eles questionaram aos convidados sobre estratégias para preparar os trabalhadores e trabalhadoras para a nova realidade, como garantir a segurança dos profissionais com o fim do isolamento social, atenção às populações mais vulneráveis e próximos desafios e aprendizados da pandemia. A fala dos participantes e as respostas dos convidados podem ser conferidas na íntegra, clicando aqui.

Recomendação

Recentemente o CNS recomendou que Ministério da Saúde priorize para todas as trabalhadoras e todos os trabalhadores essenciais, definidos no Decreto nº 10.282, as seguintes ações: (a) campanha nacional de imunização/vacinação contra gripe; (b) disponibilização obrigatória dos equipamentos de proteção individual para execução do labor; e (c) testagem ampla desse segmento da população em relação a infecção do Covid-19.

Fonte: Fenafar

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