22
dez

Papa Francisco: Os sindicatos são chamados a dar voz a quem não tem voz

“Não há sindicato sem trabalhadores e não há trabalhadores livres sem sindicatos”: foi o que disse o Papa Francisco recebendo nesta manhã de segunda-feira, na Sala Paulo VI, cerca de 6 mil membros da Confederação Geral Italiana do Trabalho. Foi um encontro com pessoas que fazem parte de organizações sindicais históricas da Itália. No seu discurso o Papa expressou mais uma vez a sua proximidade para com o mundo do trabalho e, em particular, com as pessoas e famílias que mais lutam.

O sindicato – disse ainda Francisco – é chamado a ser a voz dos sem-voz. Em particular, o Papa pediu que cuidem dos jovens, que muitas vezes são obrigados a contratos precários, inadequados e escravizadores.

Francisco destacou que vivemos em uma época que, apesar dos avanços tecnológicos – e às vezes precisamente por causa desse sistema perverso chamado tecnocracia – em parte decepcionou as expectativas de justiça no âmbito trabalhista. E isto exige, antes de tudo, reiniciar do valor do trabalho, como um lugar onde a vocação pessoal e a dimensão social se encontram. O trabalho permite que a pessoa se realize, viva a fraternidade, cultive a amizade social e melhore o mundo.

Uma segunda preocupação é a exploração das pessoas, como se fossem máquinas de desempenho. Existem formas violentas, como o “caporalato” (recrutamento de mão de obra) e a escravidão dos trabalhadores na agricultura ou em canteiros de obras e outros locais de trabalho, a obrigação de trabalhar em turnos extenuantes, o jogo de contratos sempre menores, o desrespeito à maternidade, o conflito entre trabalho e família. Quantas contradições e quantas guerras entre os pobres acontecem em torno do trabalho! Nos últimos anos, os chamados “trabalhadores pobres” aumentaram: pessoas que, apesar de terem um emprego, não conseguem sustentar suas famílias e dar esperança para o futuro.

O Santo Padre recordou ainda que nestes anos pandêmicos, o número daqueles que se demitem de seus empregos tem aumentado. Tanto jovens quanto idosos estão insatisfeitos com sua profissão, o ambiente de trabalho, as formas contratuais, e preferem se demitir. Eles buscam outras oportunidades. Este fenômeno não diz desengajamento, mas a necessidade de humanizar o trabalho.

O Papa concluiu o seu discurso convidando os presentes a serem ‘sentinelas’ do mundo do trabalho, gerando alianças e não oposições estéreis. As pessoas estão sedentas de paz, especialmente neste momento histórico, e a contribuição de todos é fundamental. Educar para a paz mesmo no local de trabalho, muitas vezes marcado por conflitos, pode se tornar um sinal de esperança para todos. Também para as gerações futuras.

Fonte: Vaticano news

 

Compartilhe a notícia

Posts relacionados

Direitos dos/as trabalhadores/as

Sindicato dialoga com novos farmacêuticos e reforça a importância da organização sindical

Fortalecer a profissão farmacêutica começa com informação, organização e compromisso coletivo. Foi com essa perspectiva que a diretora do SindFar-SC, Vanessa Corrêa, participou na sexta-feira (20) da plenária do CRF-SC de entrega das carteiras profissionais às novas farmacêuticas. Durante a atividade, Vanessa apresentou o papel do sindicato na defesa dos direitos da categoria, destacando a […]

Indústria

Assembleia Geral dos Farmacêuticos e Farmacêuticas da Indústria

Atenção, colegas que atuam na indústria farmacêutica! É hora de participar e fortalecer a nossa organização coletiva. 🗓 30 de março ⏰ 19h 💻 Assembleia virtual O Sindfar-SC convoca todos os farmacêuticos e farmacêuticas do setor industrial para uma Assembleia Geral da categoria. Na reunião, vamos analisar a pauta apresentada pelo sindicato patronal, o Sindicato […]

Defesa do SUS

Brasil rumo à 18ª CNS: A mobilização que promete unir o Brasil

Por: Ronald Ferreira dos Santos Farmacêutico – Coordenador do Movimento Nacional Saúde pela Demoraria + SUS é + Brasil 02 de março de 2026 O Brasil se prepara para um dos maiores exercícios de democracia participativa do mundo. A 18ª Conferência Nacional de Saúde (CNS), cujo tema central é “Saúde, Democracia, Soberania e SUS: Cuidar do Povo […]